Em duas edições, 2025 e 2026, os grupos da Retail Experience Brasil entraram em lojas que operam com sessenta por cento das vendas fora do balcão, viram picking acontecer no teto enquanto o cliente almoçava embaixo e conversaram com a associação que representa quatrocentos e sessenta mil pontos de venda. Em março de 2027 a missão volta.
A pergunta que mais ouvimos depois de cada edição é sempre a mesma: por que voltar à China se já fomos? A resposta é que o intervalo entre uma missão e outra costuma ser suficiente para o mercado chinês mudar de assunto. Em 2025 a conversa era integração de canais. Em 2026 já era arquitetura de dados e agentes de inteligência artificial dentro da operação. Uma imersão China varejo funciona como fotografia de um mercado em movimento, e a fotografia envelhece rápido.
🛒 O que os grupos viram nas edições anteriores
A agenda das duas últimas edições combinou operações de formatos diferentes, o que é proposital. Ver só supermercado dá uma leitura estreita do que está acontecendo por lá.
- Hema (Freshippo), do Alibaba: o supermercado que virou centro de distribuição urbano sem deixar de ser loja.
- 7Fresh, do grupo JD: reconhecimento facial, carrinhos autônomos e restaurante dentro da operação.
- Sam's Club China: a operação que virou referência global do Walmart no modelo de clube de compras, com curadoria rigorosa e marca própria forte.
- Metro China: atacarejo com sortimento curado e marca própria levada ao limite.
- Bailian Group: oitenta anos de história provando que legado não precisa ser obstáculo.
- Alibaba e DiDi: a camada de dados e algoritmo que coordena operação física em tempo real.
- CCFA: a associação nacional do varejo organizado, que reúne mais de 1.300 empresas e cerca de 460 mil pontos de venda.
A visita à Hema, em particular, costuma ser a que reorganiza a cabeça do grupo. Vale olhar os números antes de entender por quê.
O supermercado que opera como plataforma
O que impressiona não é o aplicativo. É o que sustenta o aplicativo. Enquanto o grupo consumia frutos do mar preparados na hora, o picking dos pedidos online corria em trilhos suspensos, literalmente acima das cabeças. Não existe compra anônima: a identificação pelo app é parte do processo, e cada transação alimenta o perfil preditivo do cliente. O preço do salmão às dezenove horas não é o mesmo das dez da manhã, porque o algoritmo de demanda trabalha o dia inteiro.
Cada item tem QR code que conta a origem do produto, a data de colheita e a rota logística. Iluminação, temperatura e disposição são calculadas para conduzir a escolha. Nenhum centímetro quadrado da loja está ali por acaso, e todos são justificados por dado de comportamento.
"Na China, ninguém está mais discutindo canal. Estão discutindo sistemática operacional do ecossistema de negócios." A frase é de In Hsieh, curador da REx e conselheiro editorial do MIT Sloan Management Review Brasil, e resume o erro mais comum de leitura ocidental: olhar para a tela do celular do consumidor chinês quando a revolução está no armazém, no banco de dados e na arquitetura de sistemas que sustenta essa tela.
🧠 O erro de leitura que a missão corrige
O relatório de síntese da missão de 2026 abre justamente com esse ponto, e ele merece atenção de quem está avaliando a viagem.
Duas formas de olhar para o varejo chinês
A visão superficial
- Foco na interface, no aplicativo bonito e na navegação fluida
- Canais tratados como silos: existe a loja e existe o e-commerce
- Estoques e esforços duplicados para atender cada canal
- Crença de que o cliente quer usar o app, quando ele quer conveniência
A realidade profunda
- Foco na infraestrutura de inteligência e nos dados unificados
- Uma única sistemática operacional que atende o cliente onde ele estiver
- Supply chain integrado, com a loja funcionando como centro de distribuição
- O canal é a ponta de um ecossistema que não aparece na tela
É por isso que o relatório da missão organiza os aprendizados em doze eixos, e não em uma lista de tecnologias. Entre eles estão o controle preditivo como vantagem competitiva, a loja como fábrica de dados, a substituição do código de barras pelo QR code, a logística de última milha, o modelo C2M que liga consumidor e fábrica sem intermediário e o livestreaming como canal de venda em escala industrial.
📍 O que está no mapa para 2027
A agenda de março ainda está sendo fechada, e isso é parte do método: numa imersão China varejo a curadoria define as visitas com poucos meses de antecedência para levar o grupo ao que está quente no momento da viagem, não ao que estava quente um ano antes.
O mapa que a REx vem construindo para as missões de 2027 dá o tom do que deve entrar. Em Beijing, empresas como a JD Industrials, que transformou procurement e supply chain em plataforma digital, e a 01.AI, unicórnio fundado por Kai-Fu Lee que desenvolveu um cérebro cognitivo para varejo conectando PDV, estoque, CRM e promoções. Em Shenzhen, a camada de robótica e infraestrutura, com a Geek+, cujos robôs elevaram a produtividade de picking de 149 para 533 itens por pessoa a cada hora num centro de distribuição do Walmart. Em Shanghai, a Hema e a Dingdong Maicai, referência em quick commerce e disciplina de unit economics. Em Hangzhou, a Alibaba Cloud e a Cainiao, com mais de 1.100 armazéns e 380 centros de triagem na rede global.
Vale registrar uma distinção que costuma gerar dúvida. Em fevereiro de 2027 acontece uma missão exclusiva para a Rede Brasil, superrede que reúne 18 redes regionais de supermercados, com mais de 580 lojas. Aquele grupo é fechado. A edição aberta, para empresários e executivos de qualquer bandeira, é a de março de 2027, e é para ela que a lista de interesse está sendo formada agora.
🗣️ O que dizem quem já foi
Não vou parafrasear. Prefiro que os próprios alumni digam.
Laura Jasinski, sócia e diretora do VITOR Supermercados, resumiu assim: "Esta viagem foi uma das mais marcantes da minha vida. Tivemos acesso a muita inovação, tecnologia e experiências com uma curadoria de alto nível e sempre presente." Alexandre Simioni, presidente do Grupo Passarela e da ACATS, foi por outro caminho: "É impossível voltar igual depois de ver o que empresas como Alibaba e Tencent estão fazendo."
Outros depoimentos de participantes das últimas edições estão na página de depoimentos do site.
✅ Vale ir de novo, ou pela primeira vez
Quem nunca fez uma imersão China varejo tende a subestimar a distância entre ler sobre o mercado chinês e ver a operação rodando. Quem já foi costuma voltar por outro motivo: o mercado mudou de novo, e a leitura de dois anos atrás já não explica o que está acontecendo agora.
Se a sua empresa tem uma decisão real na mesa, seja sortimento, formato de loja, automação de centro de distribuição ou estrutura de sourcing, março de 2027 é o momento de colocar essa pergunta em campo. Antes disso, em outubro, a REx leva a expedição Building the Future à construção civil chinesa, com vagas abertas.
Entre na lista da missão de varejo na China de março de 2027
Deixe seu contato e receba o material com o roteiro em construção, o perfil do grupo e o que os participantes das edições anteriores trouxeram de volta.
Entrar na lista Ver todos os destinos❓ Perguntas frequentes
Quando acontece a próxima imersão de varejo na China?
A edição aberta da imersão de varejo na China acontece em março de 2027, com lista de interesse já em formação. Em fevereiro de 2027 acontece uma missão exclusiva para a Rede Brasil, que reúne 18 redes regionais de supermercados, com grupo fechado.
Quais empresas o grupo visita numa imersão China varejo?
Nas edições de 2025 e 2026 o grupo esteve em Hema (Freshippo), 7Fresh do grupo JD, Alibaba, Sam's Club China, Metro China, Bailian Group, DiDi e na CCFA, a associação nacional do varejo organizado chinês. A agenda de cada edição é redefinida conforme o que está mudando no mercado.
A imersão serve para quem não é do varejo alimentar?
Sim. Boa parte do que se observa na China é infraestrutura de negócio: previsão de demanda, integração entre estoque físico e digital, logística de última milha e uso de dados na decisão de sortimento. Esses temas atravessam moda, farmácia, material de construção e qualquer operação com loja física e canal digital.